não nos limitemos

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Não nos limitemos pelas quatro paredes-de-força impostas pelos tempos.

Vivemos tempos conturbados, mas os tempos começaram em 2016 ou 88 ou 64 ou 1500 ou antes, e nós começamos hoje.
A maior burrice é a falta de imaginação.

A falta de ver o que os tempos imemoriais falharam em ver.

Existimos em quantos corpos pudermos. Macabéa, Diadorim, Álvaro de Campos, o Velho no Mar.

No mar, primeiro eu vento.

Aí você chove.

O frio sente

Que a alegria evapora

Pra condensar em vontade

Chovemos risos,

Descondicionados de tão loucos.

E antes de evaporar, começamos a molhar de novo. Lágrima ou outros fluidos que regam o chakra secreto.

Suor ou saliva, humores são líquidos do corpo, homogêneos, inseparáveis

Quando existimos em quanta literatura couber.
Na biblioteca infinita,
Primeiro eu vento,

Depois a estrela de Clarice molha a hora e o frio

da morte no arrepio de mamilos de Diadorim

(Mamilos são homulher)

e a alegria que só Pessoa viu, com olhos nítidos de girassol.

Vontade condensada é toda a obra de Borges, que viu com olhos de Édipo a biblioteca infinita:

No aleph está Babel, está Maria Kodama e o ilimitável universo.

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“permita que as lembranças do dia surjam”

S. Luís, colega de ponto de ônibus, não espera ônibus. Faz uma hora, experimenta se relacionar com o ecossistema em torno do transporte. Faz festa gestual discreta a cada nova chegada. Fica de pé quando alguém está acanhado de sentar no pouco espaço, que cabe, mas a pessoa cansada não senta por alguma ansiedade. WhatsApp Image 2018-10-26 at 13.03.36Aí fica encamuflado, no solão do meio-dia mesmo. Espera ali o sono chegar pra ir tirar uma soneca depois. Há um esforço pra entender o que ele diz, um decifrar lúdico do fanhentusiasmado. Tem 81 anos, só perguntei quando perguntou de mim, essas contagens. O senhor entende bem o que se fala? Desculpa perguntar, mas não quero falar alto demais, desenhado demais, esses excessos. “Eteno”, diz pra dentro, pouco pra fora, o suficiente: entendo. Faz perguntas, mesmo estando completo. Retruca pro motorista, pelo vão da porta. “Vai”, diz. Motorista grita qualquer coisa. E foi. S. Luiz sente o movimento, me tranquiliza quando bufo a demora do meu 5108: “Ralm, ralm. Vah hga”. Único instante sem sorriso foi pra câmera. Só se olhou bem. E tentei olhar o que ele viu.
#humansdomeubairro #traducaodefalasreais

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Novidades: Diane di Prima e santidades

Claudio Willer

Rogério de Campos dirigiu a Conrad, responsável por uma quantidade e diversidade de edições de HQs e livros como aqueles de Hunter Thompson, Hakim Bey e Luther Blisset, assim promovendo atualizações da contracultura e anarquismo. Após a incorporação da Conrad pela Nacional, Rogério inicia novo empreendimento, a editora Veneta. Dois lançamentos chamam a atenção, de imediato: Memórias de uma beatnik de Diane di Prima e O livro dos santos do próprio Rogério de Campos.

O livro de Diane estava no topo das minhas recomendações a editoras interessadas em lançar autores da geração beat. Já levei obras dessa poeta, narradora em prosa, ativista política, coordenadora de oficinas literárias, praticante do budismo e também ocultista e professora de magia a palestras e cursos sobre a beat. Com destaque para o final de Memórias de uma beatnik: após relatar como era a vida na década de 1950, mostrando quanta coisa mudou por…

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“Esta é a primeira preliminar: ver toda a vida como um sonho.”

Saio de casa lembrando que estou sonhando. Chove. A chuva ajuda, deixando um padrão de pingos na janela do ônibus, a estampa translúcida que mostra a paisagem toda interrompida por água, por gota, pelo que logo evapora. Desço na rua do mendigo que repousa atrás da roseira. WhatsApp Image 2018-10-26 at 13.07.35Na rua paralela, passo pelo ponto de ônibus em que pegarei o da volta. Nele, um homem sentado não espera o dele. Só olha em direções pelas quais os ônibus não vêm. Pra dentro, pra baixo, pro nada. É o segundo da minha coleção, esse homem. Coleção de pessoas que usam o ponto para não esperar. Esfrega o rosto com a ponta do casaco preto. Passo apressada.

Tantos minutos depois, retorno e ele ainda está lá, claro. Elementos oníricos agora persistem na minha tela até eu entender que são evaporáveis. Com uma mochila chamativa, toda no tema do Homem-Aranha. Na face frontal da mochila, o herói aplicado em estampa maior que a superfície, cabendo sem caber, como nos sonhos, exagerado para ser percebido por quem quer que tenha interesse na figura trágica e pacífica do louco mágico que surge quando você sabe que está sonhando.

Entre gargalhadas suaves de uma sinceridade infantil, abre a boca e me fala como se fosse realidade de pele e osso.

“Amo você. Não, não você, ela. É que sou criança também. Sou um anjo. Sim, posso voar se precisar. Desculpe não parar de rir… Posso voar, por isso não estou esperando. Caí no metrô, fui atropelado, machucado aqui e aqui. Trabalho na escada rolante, aquela que mexe assim ou assim. Ah, você sabe que escada rolante rola, desculpa. Lá em cima, não entendi, não falei nada. Os anjinhos, crianças e velhos, todos assim por cima de mim. Fiquei ouvindo, os anjos disseram Desce, e as crianças disseram Desce, desce! Por isso estou aqui. E realmente ainda tinha coisa aqui. Que coisa, você não sabe?”

O que tem aqui, de casaco preto e mochila do Homem-Aranha, é uma inexistência. Meu ônibus chega e não há no banco meio protegido da chuva mais nada além de um anjo-experiência totalmente de boa com o fato de não continuar mais ali quando viro as costas. Só existiu, eternamente, para me lembrar que estou sonhando.

último dia de inverno

Andei pelo chão da cidade. Passei por uma das casas em que o cheiro de maconha é nítido como um Pinho Sol.

É o fogo que faz a fumaça chegar, sopra alquimia. Forma a silhueta na outra ponta da ponta: olhos apertados no centro, mãos que apertaram, dedos que afrouxaram nós pra se elevar a ponto de entender que não há dois lados em nada.

Fui dando eu-te-amo pras mulheres (uma delas devolveu um bom dia de alerta), dando bom dia pros homens (um deles devolveu uma piscadela asquerosa, sem fogo, sem alquimia), dando amor pros cachorros (dois pretos, um prata – diria meu avô que não conheci, “dois de azeviche, um argênteo”). Os gatos ainda invisíveis, passarinhos cochilavam enfileirados no ponto de ônibus com a placa: “Godot linha 743. Não passa de dez em dez minutos.”

No trem cheio, de pé, li parágrafos que mudarão a minha vida e despertarão a vida de tudo. Terminavam com “Um vento sopra e a chama se apaga. Sabemos como nos sentimos quando a luz é derrotada pela escuridão.”* Sabemos mas não evitamos.

O vagão esvaziou. A cada estação da Paulista, um lote de trabalhadoras segue, eu fico. Sentei, fechei o livro pra pensar de novo na relação entre as duas pontas do baseado. Até o ser mais desperto precisa escapar do mundo, recarregar lucidezes, pra voltar ao mundo. Quem não sabe como escapar e voltar, escapar e voltar, que erga muros.

De volta ao chão (sair do trem e subir as escadas foi em transe, sem perigo, minha mãe reza por mim), rachaduras ornam a calçada:

Nenhuma folha me distraiu, nenhuma me chamou, deixou escapar gritinho. Foi um padrão das fendas no concreto que me distraiu ao ficar em brasa. Mostrou as ramificações através das quais um magicaótico reentrou em nós. O koan escrito e postado por ele provocara as rachaduras. A pergunta sem resposta porque o que não sei, sinto. E quando veio a resposta, era um riso. Que poder tem a presença que atravessa distâncias medidas por estradas e aeroportos. Mais veloz do que palavras e descrições.

Cada um, Carlos, cada um… são múltiplos. E são sem fim os pontos em que o outro pode nos atravessar, perder a guerra, desdominar. O outro não tem fim nem começo em nós. E o encontro é tão claro que flagra a insuficiência destas palavras.

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Print: “Rock garden”, Japanese ink drawing, sumi-e, de KateCherney

 

*In “Os Yogas Tibetanos do Sonho e do Sono”, de Tenzin Wangyal Rinpoche. Obrigada, Laura. Devir, 2010.

 

sorvete de ineditismo

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sapo em Beira do Rio

itamar, voz grave: o que você quer?

elza, voz soares: pelo menos tudo,

itamar.

Em ritual de assunção forma-paixão,

itamar interrompe elza pra conversa ficar mais lúdica: isso é, é paixonite.

e canta: loonge loooooonge.

o distante prolongado, alongado na duração da lonjura.

mas longe ao sol,

mas longe ao bigo,

mas longe mesmo.

aí, essa dimensão impalpável – que faz fronteira ao norte com o sol e ao sul com a curva de um bigo vazio – transmite aqui

[eu só ia escrever aqui quando as palavras se jorrassem em câmera lenta. pois.]

inspiração pra deitar no chão e rolar morro,

não pra produzir e receber crítica boa ou ruim.

é pra botar fogo,

pra não explodir (como aqueles dois do arco-íris),

se consumir prolongado feito neblina (mas neblina inédita, saída do fundo do último parágrafo)

porque quando transmite aqui, telepassa a tradupatia.

essa doença que senta, solta fumaça, entra amor pelas palavras numa língua, sai essa ambiguidade inominável chamada literatura noutra língua, clímax da sensibilidade beijável não realizada.

hum. é e não é, então.
o quê, Itamar?
paixonite. [silêncio que não dissuade] defina “tudo”.
claro, itamar, assunção forma-paixão. defino até “pelo menos tudo”:
presença supra-física,
encontro pós-verbal,

mas a segunda melhor coisa que você pode dar

é esse gosto, esse cheiro de literatura, algo tão vago e escorregadinho que chega a ser belo, coincide com presença pós-verbal.

Abraçável porque na Estrada alongada até aqui, o transmitido

se espalha, semeia pelas asicas de abelhas

e está na Todaparte.

viu, Itamar? “pelo menos tudo” = o indizível indivisível (lembra da definição de tradução de ortega y gasset?)

inclassificável na nossa análise semântica limitada, mas de nome – já virou palavra-ônibus esse trem: amor.

Mas, auto-censurada, não posso falar amor.

porque falar amor, amor – escrever sequer –

é desrespeitar

o silêncio tântrico, atravessar

a linha de fumaça entre a chapação e a arte, linha que, quando lúcida, habito, quando não, atravesso.

além disso, nesse mundo aí torto, pré-programado por estultos, que me mede por réguas positivistas,

amar é não falar amor e falar amor é não mais amar.

palavra-feitiço não temida só por bruxas (as bruxas não a temem)

então uma bruxa nasce aqui: não temo, danço o transe

vulneravelmente quando espalho fios de fadainfatuada:

chute na porta arrombou, depois alguém vai limpar,

tirar as farpas, uma a uma, meticulosa pinça,

e não há porta mais,

ainda assim, a casa invadida está fechada: em anfitrião de ressaca não se entra, como no mar.

mas amo as ondas encrespadas, dez por dia é entretenimento profundo pra quem se entedia com linhas de régua reta.

é o que quero. o imprevisto. saber não saber. saber não dizer.

mas fala,

fala!, que o ápice é o pânico e o mais perto do coração é o coração na boca.

por um minuto inconciliável esteve vivo. fundido comigo. coisa que sente. pessoa que ressoa.

it-amar sem sujeito, it-amar o que ninguém parou pra perceber (arte oedípica de ver melhor quando está cega),

sutileza de cada ser unique. ser humano é ser unique.

ei, espalhar demais é morte ou excesso de vida?

isso todo mundo e as abelhas sabem: vid .

até it-amar, amar sem I pra não virar I-love, atividade que pode ser constante, rotineira,

põe na paixon a -nite da rinite.

a rinite é

entupimento que não digo que conheço, mas já vi.

mas é única. sua.

mas divago.

Di, vago, desperta meus sentidos,

enquanto, distante, dies. Dies away…

amor espalhado diz pro ego morrer: Die, ego!

Mas estou criança que sabe das coisas e que quer muito uma delas, totalmente inédita:

sorver-te.
Ou um dentinho já engolido, porque ínfimo no meio do bolo. E quer e não tem, e quer berrar,
“Ele é muito fofo! Eu quero beijar ele! Preciso! Agora! Aiii…”

e todos em volta são adultos demais e não entendem.

Não está na mão, mas não está no ventre dela?, dizem.

Absurdo inaceitável gritar pelo que se quer quando ninguém escuta.

É assim que me sinto quando o objeto do meu amor divaga,

põe fogo nas palavras e me faz despertar.

[eu quis pelo menos tudo e pelo menos veio. e, olha, tudo é muita coisa junta. é o paradoxo de dizer com palavras o que ninguém chega perto de ser capaz de repetir com outras. e nisso não há traição. por *isso* fiz um trava-língua: the truth seeks to destroy the truth seeker to stop her from seeking things that are untrue.]

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fim

fim mesmo

agora desconstrói até a cacofonia virar pó de abstração:

quer elza tudo, itamar. paixão, itamar, paixonite.

e looooonge o. duração, mas sol, mas bigo, mas mesmo aí,

aqui eu, pois. inspiração: morro, não.

ruim é fogo pra mordomo.  se parágrafo, arco-íris:

porque tradupatia senta, beijável sente.

primeira porque aqui, se abelhas, e parte viu, indivisível inclassificável.

amor não sequer é desrespeitar o tântrico, a arte nesse estulto amar.

falar palavra-feitiço temem, então transe. mas fada chuta.

limpar, tirar pinça e mais ainda mar é reta. é dizer ar.

boca. por sente it-amar perceber sutileza unique, espalhar vida até.

lúdica põe rinite no pain essa dor. não sua, mas vago desperta sentidos enquanto

dies amor ego.  mas inédita ínfima gritar, e entendem: absurdo escuta é.

divagaepõedespertar,elza:

itamar (1)

may love be anything suitable to our freedom “nem queu tenha quinventar otra gramática”

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Resenha: Pássaros Artificais

Pousados aqui em SP: março 2017 – Resenhados: junho 2018

Meu primeiro contato com Pássaros Artificiais foi um incômodo meio análogo ao estado desconcertante de presenciar uma parte da realidade objetiva se desfazer nas minhas mãos. Esse estado de perda do olhar naturalizado é tão agradável quanto querer andar e não ter o chão. Não o mesmo chão de sempre.

A primeira leitura foi sensorial. O envelope como (bela) capa e encadernação transitória; as folhas soltas, mas rígidas, se espalhando diante dos olhos, mas mantendo uma coesão evidente – as páginas com alto potencial de dispersão teimavam que, sim, formavam uma história. Uma bagunça deliberada e meticulosa.

Eu me atrapalhava, não sabia o que fazer, que caminho seguir, como abordar a narrativa, mas, ao mesmo tempo, o material era convidativo à insistência. Em pouco tempo, havia páginas espalhadas pela casa, talvez perdidas, como lembranças perigosas que podem afetar uma rotina harmoniosa (uso “harmoniosa” aqui no sentido pejorativo). Houve ainda uma tentativa de visualizar todas as páginas ao mesmo tempo, no chão da sala.

“Isso me interessa”, foi só o que consegui concluir provisoriamente. “Talvez seja uma metáfora do meu estar no mundo.”

A segunda leitura, após a adaptação ao formato ou a resignação ao incômodo (“incômodo” também no sentido de estranhamento do modo naturalizado como mundo é percebido de dentro da ideologia dominante) deu vontade de ficar um pouco mais, só mais um pouco. E ir-se ficando.

Talvez porque cada página pareça conter uma história, uma unidade, aberta, mas ao mesmo tempo satisfatória. Cada página é uma lua inteira, sendo também só mais um eco da Lua. Às vezes, migalha de meia-lua.

A arte de Antonio Eder chamou minha atenção por parecer dizer que não queria chamar atenção. Esse tipo de coisa costuma me chamar muito a atenção. Confirmei essa impressão com ele, que disse ter notado que, quanto mais icônico o desenho, melhor comungava com o roteiro complexo. Fiquei surpresa com essa visão intuitiva (e adorei que ele usou o verbo “comungar”), talvez uma perda de identidade voluntária, em algum nível. Ou uma identidade “sintetizada”, através de bonecos cartuns que quebram ainda mais a narrativa quebrada.

Voltando à segunda leitura, sem ter saído dela (a primeira foi só estranhamento; e a observação sobre a relação do desenhista com o roteiro me lembra agora, só agora, de mencionar a primeira versão descartada da arte, que me deixou curiosa e fui ver e, ao ver, fiquei mais curiosa ainda sobre o que se passa na mente de Antonio Eder. Não sei, mas é algo que se espalha.), digo que há muitas surpresas, atingidas através de forma e conteúdo igualmente, coisas que você não esperava encontrar numa história em quadrinhos nem em qualquer outra narrativa, porque aqui, entre as penas, é um lugar novo: parece desconexo e 1. ah! Agora isso fez todo sentido, ou 2. Ah! Isso ainda não faz sentido, mas é tão bonito que pausa o tempo, afastando, como quer Alan Moore, os quadrinhos do cinema. No cinema seria impossível essa pausa, essa oscilação. Trilha sonora eu mesma ponho, com diferentes graus de pós-dramaticidade.

E também é literatura sem ser pura.

Mas voltando à segunda leitura, sem ter saído dela, as personagens de Pássaros Artificiais se parecem muito com pessoas, não no sentido de persona, máscara, mas no de soar através. Essas personagens ressoam através de suas impensáveis relações com múltiplos objetos. São pessoas no sentido mais próximo das pessoas que leem ou escrevem a história delas. Ou seja, são verossimilhantemente paradoxais.

E assombradas por memórias. Senão não faria sentido ser transrealista.

A sensação, ao terminar a leitura (primeira, sensorial, ou a segunda, verbal), é de que não há fim.

(Agora, por exemplo, um vento jogou para o alto duas folhas de Pássaros e elas fizeram um som encorpado, consistente, como se fossem folhas de zinco da sonoplastia de uma história que urge sua expressão a tal ponto que chega a buscar novos meios, ao fazer uso do vento, para fugir de mim, e do som produzido por seu próprio corpo físico, para chamar.)

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arte da primeira versão que não foi concluída pelo desenhista

Roteiro: Diego Aguiar Vieira
Arte: Antonio Eder
Independente

O blog dos Pássaros: http://passarosartificiais.blogspot.com/?m=1 , onde achei essa imagem.

 

Dercy

– Não pense em crise, trabalhe.
– Vai tomar no *.
– Mas, Dercy, não podemos postar isso.
– Ta, veja se melhora:
Mas isso nos priva justamente do único aspecto positivo da crise, que é a reflexão e a percepção das possibilidades de novos espaços de empatia, como no binômio vc está fodido, mas eu também estou, o que nos leva a mandar os verdadeiros filhos da puta tomarem no cu.

 [homenagem porque adoro dercy. sincera e poderosa.]